segunda-feira, março 20, 2006

Grande Frase


"São 450 presos empilhados
onde só cabem 150.
Não é justo que os presos
paguem duas vezes pelo crime que cometeram"
Marcolino Aparecido da Costa,Ex-delegado de Polícia em Maringá, citado na Revista Tradição, publicada em Maringá, número 278, ano XXVI, p13, comentando sobre a situação da cadeia em Maringá. A mesma do cadeião de Foz do Iguaçu e de tantas outras cidades do Brasil. Minha opinião leva muito a sério a idéia de prisões como centro de "correção". O PCC mostra que nossa prática não funcionou. Parabéns ao delegado!

domingo, março 19, 2006

Quer Água? A máfia da água e o roubo corporativo

Hoje amanheci com vontade de brigar, no bom sentido. E por falta de opositor, decidi pegar a indústria da água. Sabe? Essa história de que a água está acabando, é mentira. Ou é parcialmente verdadeira. O que está acontecendo é que maioria das águas superficiais está sendo “emporcaiada”: dejetos, poluição, esgotos. Todos os rios, lagos e ambientes com água – incluindo praias, estão sendo transformados em fossa. E sabe mais? Estamos pagando para isso. Sabe dessa conversa de que a água é o petróleo do século XXI? Foi fabricada. O que está acontecendo hoje é a “comodificação” de tudo. Sobre o que significa “comodificar” Riccardo Petrella da Coalizão Mundial da Água, diz:

“A concepção atual de “commodification” (transformação de algo em mercadoria) é considerar que somente a troca dá valor a qualquer coisa. Se não há troca, não há valor. Assim, tudo – inclusive seres humanos e expressões imateriais de vida – podem ser uma mercadoria (commodity) para troca, para comércio, para o mercado”. O
Instituto Polaris, sediado no Canadá destaca, no artigo "Batalha contra o roubo corpoorativo das águas do mundo", que em maio de 2000 a revista Fortune afirmou "...que a água promete ser no século 21, o que o petróleo foi no século 20". E o que seria a água no século 21?

Diz a Fortune (seguindo o Polaris): 
“... uma commodity (mercadoria) preciosa que determina a riqueza das nações”. A profecia não é vã. A indústria valia então uns US$ 400 bilhões por ano. O Banco Mundial já trabalhava com números na casa dos US$ 800 bilhões para 2001. Já devemos estar na casa dos trilhões. Estamos falando de potencial de crescimento de 10% ao ano, visto que até 2000, somente 5% da população mundial era atendida pelas corporações internacionais. E como se lucra com a água? Ora, é fácil! Passando a administração da água para as corporações ou empresas de água por um processo que se chama “privatização”. E quem é quem no corrida para abocanhar as águas do mundo?

A resposta é simples e ao mesmo tempo complicada: toda a água doce do mundo está nas mãos de 10 empresas transnacionais. E quais são? A resposta vem em ordem de importância e porte de empresa, lucratividade e agressividade. 1) Vivendi (agora chamada Génèrale des Eaux dentro da França e Veolia para o Mundo) de nacionalidade francesa e 2) Suez – empresa conhecida até recentemente como Suez-Lyonaise des Eaux e que, pode crer foi responsável pela construção do Canal no Egito que é xará dela) – a partir daqui temos muitos consórcios, por exemplo 3) Bouygues-SAUR, 4) RWE - Thames Water (Águas do Tamis), 5) Bechtel-United Utilities, 6) Enron-Azurix, 7) Severn Trent, 8) Anglian Water, 9) Grupo Kelda e 10) American Water Works Company.

As duas primeiras controlam mais de 80% do mercado global da água. A Suez opera em 130 países e Vivendi (Veolia em mais de 90). O resto do mercado é batalhado. A terceira da lista, também francesa está em 80 países via a subsidiária de água SAUR. Os franceses dominam a água do mundo – o restante das empresas são inglesas, americanas e pelo menos uma a RWE é alemã que entrou no campo da água ao comprar a Thames Water da Inglaterra.

 
A primeira grande cidade da América do Sul a entregar suas águas para as gigantes francesas Suez e a Vivendi foi Buenos Aires por meio de uma subsidiária chamada "Águas Argentinas". Em 1997, A Sanepar foi a primeira empresa estadual entregue à Vivendi pelo então governador e "ecologista" Jaime Lerner. Requião, classifica o negócio de picaretagem. A Parte II já vem

Jackson Lima na MOP3 na capital do Paraná

Ninguém me chamou mas eu fui lá. Estive na MOP3 - ou 3a. Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. A reunião - na prática um evento enorme que começou no dia 13 e foi até o dia 17 deste mês, no ExpoTrade em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
A discussão foi sobre transgênicos. Não foi nem sobre se se é contra ou a favor os alimentos ou organismos geneticamente modificados. O grosso da discussão foi se você deve ou não saber se está ou não comendo, bebendo ou ingerindo organismos, comida, balas etc modificadas geneticamente.

Até 2012, não será obrigatória a identificação de grãos geneticamente modificados nas exportações e importações entre os países signatários do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Essa identificação será feita conforme a capacidade técnica de cada país.

"A decisão reflete um cenário em que esses espaços de decisão internacional são cada vez mais dominados pelo poder que as empresas transnacionais têm sobre os países", avaliou Maria Rita Reis, assessora jurídica da organização não-governamental Terra de Direitos, que participou do encontro.

Até quase o encerramento os países estavam acertando que as exportações de grãos deveriam ter uma identificação dizendo (tipo assim): "Este produto contèm transgênicos" . Estava quase passando. Mas Paraguai e México protestaram e sugeriram que a identificação deveria dizer "Este produto pode conter transgênicos". A frase foi apoiada pela Nova Zelândia e mais dois países um deles Palau, no Pacífico. 

Assim os produtos não serão identificados até 2012. E quando forem identificados você terá o direito da dúvida. Tem? Não tem? A redação final só será definida na MOP6 - quer dizer depois da MOP4 e da MOP5.

No dia 17, por volta do meio dia eu estava na área dedicada a ONGs, empresas e outros grupos de pressão contra ou a favor. Visitei vários stands colhendo material e conversando com as pessoas. Peguei no ar a conversação de três pessoas do grupo pró-transgênico. Diziam: "temos que ajudar manter a posição do Paraguai. Se a gente fizer isso, a vitória é nossa". O grupinho disse esperar que isso acontecesse até a MOP5.

A poucos metros desse stand internacional de multinacionais (que não era a Monsanto), estava o stand do Greenpeace. Na saída, já no espaço aberto dedicado a outras manifestações, estavam ocorrendo reuniões de agricultores, campesinos brasileiros, organizações como o MST e outras defendendo a existência da boa e original semente natural.

Desinformação midiática

Enquanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fazia pose de estadista e chamava a ética do PT de corrupta na capa da revista IstoÉ, uma pequena nota no pé da quinta e última página da seção “A Semana” passava facilmente despercebida até mesmo para os leitores mais atentos.
Embaixo de três notas necrológicas, o pequeno texto informava: “Condenados a 11 anos de prisão pela 12ª Vara Federal do Distrito Federal o ex-presidente do Banco do Brasil Paulo César Ximenes e seis ex-diretores dessa instituição.  
Eles foram acusados de gestão temerária devido a irregularidades em empréstimos feitos à construtora Encol entre 1994 e 1995. Na quarta-feira 1”.
Assim como IstoÉ, a grande imprensa não deu muita bola para o caso. Veja, por exemplo, considerou a condenação de toda uma diretoria do maior banco público do país nada importante e não dedicou uma linha a respeito do assunto. Os sete condenados formavam a diretoria colegiada do Banco do Brasil entre 1995 e 1998, com Ximenes no comando da instituição. Período que coincide com o primeiro mandato de FHC. 
Eles foram condenados em primeira instância por nove atos que caracterizam crimes de gestão temerária e de desvio de crédito ao emprestar dinheiro para a construtora Encol, que faliu em seguida e prejudicou milhares de mutuários.
Os acusados foram considerados responsáveis, entre outros crimes, por aceitar certificados de dívida emitidos ilegalmente pela construtora e por prorrogar sistematicamente operações vencidas e não pagas.

sexta-feira, março 10, 2006

Congresso

Pauta
“Desafios para uma sociedade sustentável” é tema em discussão no Quarto Congressso sobre Investimento Social Privado, em Curitiba (PR) entre 24 e 27 de maio. No mesmo período, será realizada a 5ª Mostra de Ação Voluntária - Cidadania e Responsabilidade Social, promovida pelo Centro de Ação Voluntária de Curitiba (CAV), parceiro do Gife na realização do congresso. A programação completa e as fichas de inscrição estão disponíveis em www.gife.org.br.

quinta-feira, março 09, 2006

Furando bloqueio

O blog veio bagunçar o jornalismo. Graças a ele todo mundo tem um jornal. Há uns dez anos, um patrão do ramo de jornal me disse, "se você quiser ter opinião, monte um jornal". Hoje, o blog permite fazer isso gratuitamente. Claro que não temos uma super audiência. Não são milhares de leitores. Nem precisa ser profissional. Exemplo: acabei de descobrir como se faz uma enquete. Me registrei no site, copiei, colei e lá está a minha enquete on line sobre a licitação do Hotel das Cataratas - Patrimônio da União logo Nosso Patrimônio. 
A pergunta não foi você é contra ou a favor. A pergunta parte da idéia de que todo mundo concorda com a licitação. O que quero saber é: a licitação deve ocorrer em ano eleitoral? No próximo governo? E, também: devem participar só firmas nacionais ou se abre para internacionais também. Até a hora que "postei" esta nota, já pude ver o seguinte: participaram durante o dia 22 pessoas. Mas vejam o que disseram: das 22, três (14%) disseram que a licitação pode ocorrer em ano eleitoral; nove (41%) pessoas responderam que só no próximo governo. Seis (27%) pessoas acham que a licitação deve ser só nacional enquanto que quatro (18%) abrem para firmas estrangeiras.
 
É isso aí, democracia graças à internet e em breve, quando o Brasil produzir os milhões de laptops para que as crianças os levem às escolas junto com suas lancheiras, o poder dos poucos vai sedo questionado, retomado, o poder pessoal devolvido. E assim, embora sem emprego, estou empregado na luta pela liberdade de expressão. E graças ao poder de furar bloqueio dos blogs, minha opinião chegou aos jornais impressos - o Jornal do Iguaçu e A Gazeta do Iguaçu.

quarta-feira, março 08, 2006

Dia da Mulher


Colegas mulheres, que posso dizer neste dia?
Quando olho para trás, na história e vejo o roubo sistemático masculino?
Vocês, provavelmente descobriram o cultivo de plantas e o entendimento das sementes, a domesticação de animais, a escrita,
Nós tomamos isso de vocês - assim que deu estato,
Em seguida juntamos tudo e criamos a agricultura,
o comércio, a guerra, a prostituição, exércitos, armas,
agricultura transgênica, sementes suicidas, bombas,
Tenho vergonha mulheres,
Não posso deixar de ser homem,
Não vou ser travestido
Só anseio pelo verdadeiro ser homem
Em paz com o verdadeiro ser mulher que, quando juntos, significam ser humano
Homenageio a todas vocês com este cartaz-apelo da ONU
Que não nos separemos por gênero e que sejamos IGUAIS, pois em hebracico homem se diz ISH,
e Mulher se diz ISHÁ, só muda uma letra, como
Cozinheiro - cozinheira,
É complicado?
Dia da Mulher - Día de la Mujer - Women's Day

LapTop de US$ 100


O Media Lab - ou Laboratório de Midia do MIT (Massachussets Institute of Technology) dirigido por Nicholas Negroponte yem um projeto que é verdadeira menina do olho. É o Projeto que prevê a perodução de computadores LapTops que serão vendidos por US$ 100. Os laptops baixa renda serão destinados às crianças. Publçico aqui as fotos do laptop de Negroponte. As fotografias foram tiradas por Martin Varsavski, industrial argentino que cresceu no mundo e tem um blog e lá ele colocou as fotos mostradas aqui. (Ele já tem cacife para se sentar com Negroponte). A Argentina, aconselhada por Varsavski pode comprar um milhão de laptops da campanha "Um LapTop para Cada Criança". Assim, em breve, as crianças estarã indo para a escola levando uma lancheira em uma mão e um laptop na outra. O Brasiol também vai comprar ou adotar a tecnologia de Negroponte-MIT. O programa chamado "Um Laptop para Cada Criança" vai beneficiar primeiramente estudantes brasileiros, chineses, egípcios, tailandeses e sul-africanos. A meta é produzir 15 milhões de computadores em um ano. Minhas informações vieram do blog www.interney.net.

quarta-feira, março 01, 2006

Sementes Suicidas da Monsanto

A gigante da biotecnologia Monsanto quebrou promessa feita em 1999 e anunciou que vai desenvolver a tecnologia Terminator para culturas não alimentícias como o algodão, tabaco, culturas farmacêuticas e grama. Há sete anos a multinacional havia declarado publicamente que não iria comercializar essa tecnologia, que produz plantas geneticamente modificadas para produzirem sementes estéreis.
As sementes Terminator fazem parte das chamadas tecnologias genéticas de restrição de uso, que são uma forma de garantir a cobrança dos royalties e impedir a reprodução de sementes patenteadas, forçando os agricultores a comprar sementes todos os anos. No mundo, esse tipo de tecnologia está proibido por uma moratória, determinada pela Convenção sobre Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB). 
Este mês deverá haver uma intensificação dos esforços das indústrias de biotecnologia para derrubar essa moratória durante a oitava Conferência das Partes da CDB, em Curitiba. A reunião poderá definir a postura da Organização das Nações Unidas sobre o futuro das tecnologias genéticas de restrição de uso.

No Brasil, a Lei de Biossegurança de março de 2005 proíbe esse tipo de tecnologia, mas há um projeto de lei de dezembro do mesmo ano, de autoria da deputada Kátia Abreu (PFL-TO), em tramitação no Congresso, que propõe a liberação e a comercialização desse tipo de semente no Brasil. A mudança de postura da empresa Monsanto indica um acirramento do confronto com os movimentos de agricultura familiar, ambientalistas e populações indígenas.
A entidade ambientalista Greenpeace faz parte de uma aliança global com mais de 300 organizações que exigem a manutenção da moratória. As sementes estéreis ameaçam a biodiversidade e podem destruir o modo de vida e cultura de 1,4 bilhões de pessoas ao redor do mundo que dependem da produção própria de sementes.A semente adaptada pelo próprio agricultor para sua realidade e produzida por ele é conhecida no Brasil como “semente criola”.

A contaminação genética dessas sementes pode ter um impacto muito grave na agricultura familiar, que responde no Brasil por mais de 70% do emprego na área rural.“Os agricultores do mundo e as populações indígenas não podem confiar na Monsanto”, afirmou Alejandro Argumedo da Associación ANDES, do Peru.

“A empresa quebrou sua promessa e traiu mortalmente as populações indígenas que dependem de sua própria semente para sua soberania e independência alimentar”, completou. “As corporações de biotecnologia têm uma visão clara e simples de mundo: nada pode ser cultivado sem a licença da Monsanto ou outras empresas que patentearam tecnologias de restrição de uso” explicou Benny Haerlin, do Greenpeace Internacional.

“Se os governos mundiais presentearem a Monsanto com a eliminação da moratória na reunião da CDB, nós vamos pagar a conta no futuro, quando os efeitos colaterais danificarem a integridade e a fertilidade da natureza.” completou. A Campanha pela Proibição do Terminator anunciou no dia 21 de março o nome de mais de 300 organizações que estão contra a suspensão da moratória às tecnologias genéticas de restrição de uso.

Enquanto isso, no Brasil, a Monsanto está em disputa com os produtores rurais do Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul por causa da forma como quer cobrar os royalties pelas suas sementes. A Monsanto determinou a metodologia de cobrança de royalties e o seu valor sem consultar os produtores, além de ter definido regras quando a safra já estava plantada.

“Da forma estipulada pela Monsanto, os produtores que armazenam sementes serão prejudicados, pois terão que arcar com os custos da segregação de sementes transgênicas das convencionais”, afirma Luis Alberto Moraes Novaes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Maracaju (MS). Ele critica também o aumento do valor dos royalties, que passou de 1% para 2% neste ano. “Vamos buscar o caminho do diálogo, mas, se esse não for possível, entraremos na Justiça contra a Monsanto”, afirma Luis Alberto.
Fonte: Greenpeace / Brasil

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Abraji desconfia de Prêmio Jabá de Jornalismo

Lavaram a minha alma. Se quiser saber por quê, abra o link que ofereço a abaixo. A ABRAJI - Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo abriu uma discussão boa. Que conversa é essa de tantos prêmios de jornalismo? Nunca participei de nenhum. O dilema ético meu tem sido o de sempre: quem paga? Como eu, jornalista ambiental, por exemplo, posso escrever sobre meio-ambiente para participar de um prêmio financiado por um poluidor do meio ambiente? 

O artigo no Observatório se chama "Prêmio de Jornalismo não pode ser Jabá".Claro que protesto aqui contra o uso da palavra "jabá". Jabá é uma importante invenção de sobrevivência e eu gosto dela na forma de jabá, carne-de-sol, xarque, carne seca etc. 

Voltando a falar em jabá-prêmio ou prêmio-jabá, gostaria de dizer duas coisas - eu nunca venceria um concurso de jornalismo ambiental patrocinado pela Ford, Prêmio Blaser, Prêmio Boeing de Jornalismo Ambiental, por exempo (de novo). Já imaginou o Prêmio Pedodfilia contra a Exploração Sexual Infantil? Suponhamos que o prêmio fosse pago pela Associação Belga de Pedófilos (ABP)? O que eu escreveria? Hum... 

Claro que eu poderia começar dizendo que a palavra "pedofilia" está criminalizada. Ao pé da letra, pedofilia (ΠAIΔΟΦΙΛΙΑ, em grego, eu acho) significaria "amor por crianças". ΦΙΛΙΑ ou FILIA em grego é uma espécie de amor que não é erótico, nem pronográfico, nem fraternal. É puro. Seria filial? Obrigado ABRAJI!

Gripe da Ave



Danielle Nierenberg pesquisadora do Instituto WorldWatch em recente artigo para o jornal inglês The Guardian disse que a chegada da gripe asiática à Europa está espalhando muita ansiedade entre fazendeiros, granjeiros, legisladores, autoridades da saúde e até para o mercado. Todos temem que o virus mute para uma varieadede que possa atacar humanos. Se isso acontecer, disse ela, estariamos falando de uma pandemia mundial que, segundo o Banco Mundial, custaria US$ 800 bilhões por ano.

Mas o que quero destacar é: a gripe das aves é uma gripe velha. É uma velha conhecida. Por que a gripe estaria crescendo e escapando do controle justo agora que a humanidade tem mais recursos e está melhor equipada para lidar com o problema? A resposta de Danielle Nierenberg é irônica. A tecnologia agropecuária é uma grande facilitadora para o avanço de doenças. Nierenberg lembra que a criação de animais se metamorfoseou em um projeto industrial - é a agroindústria resposável pelo confinamento de grandes números de animais. "Onde quer que a agricultura, avicultura e pecuária industria se instalem, criam desastres ecológicos e de saúde pública", disse Nierenberg.
Até o Brasil já sofre o efeito da gripe das aves e isso sem que o virus tenha se aproximado de nossas avícolas. Quem está sofrendo são os produtores da monocultura da soja. Cairam as exportações brasileiras de farelo de soja - principal componente da ração das aves. A demanda de farelo caiu, porque o consumidor está com medo de comer carne de frango.

Ninguém me perguntou...



Curitiba, capital do Paraná, vai receber dois eventos importantes. Um se chama
COP 8 que significa 8ª Conferencia das Partes da Convenção da Biodiversidade e a MOP3 ou 3a.Meeting of the Parties (Reunião das Partes) do Protoccolo de Cartagena que estarão acontecendo 13 e 31 de março.

A duas reuniões são importantes porque discutem coisas sobre a segurança biológica do Planeta e da gente. Não irei pessoalmente entrar em detalhes sobre as reuniões técnicas. Para saber sobre
o que está em jogo de modo geral você pode ver o link sugerido na linha anterior. Prefiro falar sobre o que está acontecendo agorinha no mundo. O mundo é um lugar bem complicado.

Uma empresa canadense chamada
SemBioSys requereu do governo americano permissão para colocar gênes humanos em plantações inteiras de cevada. Os genes humanos na cevada serviriam para produzir insulina em um mundo onde a diabete está aumentando – isso é parte da propaganda da empresa. A idéia não foi bem aceita por muita gente inclusive agricultores. Até autoridades da FDA – Food and Drugs Administration – órgão federal que libera remédios nos EUA, - uma vez no mercado, ninguém controlaria a cevada “humanizada”.

A indústria biofarmacêutica já está bem avançada. Já existe salmão com genes humanos, porco com genes humanos, ratos, coelhos, ovelhas e outros animais e plantas com genes humanos. Os mutantes são produzidos para fins farmacêuticos – para que deles se tirem substâncias para remédios. Ou essa é a desculpa. Só a Inglaterra fabrica 60 mil mutantes por ano. Os animais e plantas “humanizados” crescem mais rápido. Mas tem problemas. Os porcos humanizados, por exemplo, estão nascendo cegos, deformados pela artrite e, mais importante: impotentes.

O que garante que plantas e animais mutantes não cheguem aos supermercados? É isso o que a COP8 e a MOP3 querem descobrir nesta reunião importante. Encontrei em viagens extensas pela internet que uma discussão muito grande no mundo, agora, é o neo-canibalismo. Ou canibalimso pós-moderno. A partir de que ponto consumir uma cenoura ou um salmão enriquecido com genes humanos passa a ser "canibalismo"? Até que ponto estaríamos comendo gente – e não no sentido dos Mamonas Assassinas que reclamavam “... e ainda não comi ninguém”.

Há várias organizações no mundo chamadas “observatórios” ou vigilantes ou “watch” em inglês. É o caso do
WorldWatch Institute que fica de olho no mundo ambiental, econômico e político, ou o Human Rights Watch que vigia a violação dos Direitos Humanos ou o Observatório da Imprensa, no Brasil. Desde o ano passado há uma organização chamada GeneWatch ou Observatório / Vigilantes do Gêne. A ONG trabalha pela transparência nesse ninho de rato lucrativo e genético. A Gene Watch em associação com o Greenpeace criaram uma lista mundial de acidentes ou incidentes envolvendo a contaminação por organismos geneticamente modificados. O Brasil está na lista com uma contaminação de sementes de soja e milho no Rio Grande Sul.


Não é à toa que quando o Ibama-Foz do Iguaçu diz que encontrou transgênicos ou plantações formadas por sementes geneticamente modificadas, no entorno do Parque Nacional do Iguaçu, a Monsanto (empresa fundada em 1900) responde questionando. O problema é que uma acusação de que há transgênicos perto de um parque é pepino e dos grossos. E se houver contaminação de espécies nativas ou selvagens do Parque?


Os casos de contaminação já são antigos. Zonas remotas do México onde ainda se tinha variedades nativas de milho resultaram contaminadas por meios que ninguém sabe qual são. A descoberta foi da Universidade da California em Berkeley. O problema da contaminação de plantas naturais já entra na área da segurança alimentar. Uma contaminação fatal pode acabar com o estoque de alguma colheita, do mesmo jeito que o anúncio da presença da "gripe da ave" leva ao abate de milhões de aves e à falência de muita gente.

Para lhe deixar mais tranquilo(a) gostaria de lembrar que há anos já há banana-vacina, cenoura com toucinho, tomate com maionese, vaca que produz leite humano, e já é possível bolar um anticoncepcional masculino ou feminino embutido nos alimentos para distribuição em massa via cesta básica. É só os governos darem a luz verde. O que atrapalha o progresso desse comércio são os padres, as igrejas, as ONGs, os ambientalistas, os grupos dos consumidores e outros "desocupados".


A lista da contaminação da GeneWatch / Greenpeace destaca 63 casos em 27 países. Entre os contaminados estavam alimentos, sementes, ração animal e plantas selvagens. Os Estados lideram o rank de acidentes – 11 casos. A variedade StarLink de milho contaminou plantações nos Estados Unnidos, Canadá, Coréia, Egito, Bolívia, Nicarágua e Japão. A distribuição ilegal de produtos GM aconteceram na Índia (algodão), Brasil (soja e algodão), China (arroz), Croácia (milho), Alemanha (mamão) e Tailândia (algodão e mamão).

domingo, fevereiro 26, 2006

Frase do ano


Afinal, uma história tão boa
não pode ser simplesmente mentira.
E jornalista não erra; é induzido ao engano.
Um barato de blog

Requião

O governador do Paraná Roberto Requião é assunto do Observatório da Imprensa. Motivo: a manipulação do governador no Canal da TV Paraná Educativa. O governador, conhecido como um dos maiores coiceiros do Brasil é agora reconhecido como intimidador e o Paraná como um estadozinho de imprensa oficialista. Link ao lado.

O jornalismo morreu?

Sou jornalista por amor. Adoro a profissão. Embora esteja eu um pouco desanimado. Todo mundo sabe que as grandes reportagens morreram. Especialmente no Brasil. Acabo de entrar no site da Mother Jones - uma revista independente sem fins lucrativos dos estados Unidos que me deixou com inveja. O número correspondente a março traz uma reportagem sobre os oceanos. A reportagem tem 12 páginas de 55 linhas com, em média, 4.080 caracteres. No Brasil já se diria que o leitor não tem tempo de ler.
A matéria é ótima. Lembrou-se do mar - essa fossa que o mundo esqueceu. Na versão on-line, os links abundam. Os oceanos, diz Julia Whitty, autora, não existem. Só há um oceano. Funcionam como um rio. As águas de todos os oceanos se comunicam. A água que passa agorinha na Costa do Canadá, voltará a ela em 1.200 anos.
O inglês do artigo é compacto. Não é fácil. E se você quiser vender um artigo para a revista? Pode, não há problema. Basta fazer o quie o editor quer. Ele quer reportagens investigativas que mostrem o que o governo ( dos EUA ou da China) quer esconder, os rolos das grandes empresas, a miopia científica, a fraude institucional e a hipocrisia. tem mais. Quer artigos provocadores do pensamento que desafiem a sabedoria convencional dos negócios do país.
Quem no Brasil enfrenta a miopia da ciência? Quem pode dizer que a ciência também sofre disso? Um cientista pago por empresas interessadas dizem isso ou aquilo e a palavra é inquestionável. No caso da ecologia por exemplo, as maiores fontes são empresas como Petrobrás, Itaipu, Furnas, Eletrobrás. Que ridículo!
Não estou defendendo um denuncismo aleatório. Defendo pesquisas. Investigações. Um inveja incrível - é o que eu sinto. A Mother Jones é um meio alternativo. Para sobreviver aceita doações de leitores, vende camisetas de algodão puro, aceita propaganda, tem loja on line. E lá está a revista, uma leitura obrigatória para gente consciente.
Que saudade do jornalismo investigativo. Os links que ofereço ao lado trazem idéias novas. São blogs, novas midias, projetos, entidades, exemplos, loucuras. Há de tudo.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Chip no Braço

Uma empresa de Ohio, Estados Unidos, anunciou que injetou dois chips em seus primeiros dois funcionários. Os chips foram fabricados pela VeriCorp Corporation. A Notícia recebeu umas poucas linhas no jornal inglês The Guardian. A empresa acredita que este é o primeiro caso de chips identificadores no corpo da pessoa.
O jornalista George Monbiot publicou em seu blog que o futuro chegou. A VeriCorpo quer que o chip seja utilizado em pacientes médicos, pessoas com problemas mentais, crianças, funcionários - em fim em quem quiser. Os minichips são injetados com a ajuda de uma anestésico local. Me parece cena do filme "A Ilha", mas não é não! Os chips são pequneos, duráveis e baratos: US$ 150.oo mas vai ficar mais barato.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Água pré-paga



Empresas multinacionais criaram um sistema eficiente para o fornecimento de água na Africa do Sul. É o cartão-pré-pago para água. Há vários chafaris instalados em áreas pobres. Cada cliente pode adquirir um cartão que tem um valor exato e pré-limitado. O cliente, uma vez em posse do cartão chega até a caixa de metal fechada - sem torneira - passa o cartão e espera que a água encha o vasilhame. Claro que é necessário ter crédito. Se não tiver mais crédito, a família fica sem água.O sistema funciona no mesmo modelo do teleofone celular sem assinatura - quer dizer se compra créditos, pré-pagos. Quando acaba, acaba.

domingo, fevereiro 19, 2006

Investigação

Feliz 2006! Esta são as primeiras notas que escrevo neste blog, este ano. Uma professora minha na UDC disse que o mercado de jornalismo em Foz do Iguaçu é "exigente" e que a partir de agora sá ficaria no mercado os bons. Ótimo! Eu assino embaixo. Mas advirto que também pode ser o contrário. Pode ser que haja mais "demanda" dos ruins. Ruins no sentido de serem os candidatos maleáveis e fáceis de engolir mentiras, aturar um chefe louco ou comprometido. Dito assim, anuncio que este blog meu se dedicará ao jornalismo investigativo. Até a próxima. Volto logo! Estão me chamando para almoçar

terça-feira, dezembro 20, 2005

Outro Gráfico

Outro gráfico interessante que descobri é este "contador" do desastre chamado "Guerra do Iraque". É o que aparece, nesta página, logo abaixo dos links. Os números tratam do Custo da Guerra em bilhões de dólares e vidas humanas, com atualização a cada segundo. O primeiro número relativo às mortes é o dos iraquianos seguidos pelos soldados americanos. O restante é com você: é uma lista de coisas que poderiam ter sido feitas com cpm esse dinheiro a favor da Humanidade: quantas escolas, hospitais etc poderiam ter sido construídos.

População

A cada segundo alguém nasce, morre em todo os países. Descobri um gráfico animado que mostra isso. O site está em inglês e mostra a população global (global population) piscando por segundo: ali vemos graficamente quanta gente está nascendo ou os nascimentos (births) globais este ano (this year) e hoje (today) e, do outro lado da moeda, as mortes (deaths), este ano (this year) e as mortes hoje. Tudo ao vivo. Os numeros todos piscando. Cada segundo, um evento. Eu acho isso o máximo e tenho usado como uma fonte importante de fait-divers. A cada momento, alguma criança dá o primeiro berro. BHuahhh! E a cada segundo alguém em algum lugar exala o último suspiro Shishshshsh! è círculo cemitério-maternidade e no meio entre os dois estabelecimentos, muita festa, sofrimento, dor, doenças, namoro etc. Caso o gráfico não abra pelo hyper link acima, ele está nos links ao lado. É o primeiro.